A resposta óbvia seria democracia. Tantos a defendem, que parece ser a melhor forma de organização humana. Cada qual com suas idéias, sem repressão, com liberdade de expressão. Ou quase, já que não conhecemos - e nunca conheceremos - uma total liberdade. Onde começa os direitos de um, termina os direitos do outro. E quando pensamos que existem mais de 6,6 bilhões de pessoas em 149 milhões de km², sendo que grandes massas se concentram em poucos espaços, percebemos que delimitar direitos e deveres individuais se torna uma tarefa quase que inconcebível. A menos que, claro, elimine-se a liberdade individual.
A Declaração Universal dos Direitos Humanos é brilhante ao afirmar, no Artigo I, que “todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos”, mas peca completando que “[todas as pessoas] são dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade”. Lindo, todavia demasiado utópico.
Então se mesmo com tal declaração da ONU, que propõe diversidade e respeito mútuo, visando um lugar perfeito, a sociedade vive seu momento distópico, não seria melhor a ditadura?
Vê-se que somente com sistemas ditatoriais atinge-se o socialismo. Porém, se todos são iguais, não pode haver um líder autoritário. Nem sequer líder deve haver, bem como propõe o anarquismo.
Sem líderes, sem leis, deixando entregue à consciência qualquer espécie de ordem. Assim é determinada a anarquia. Outra vez: utopia. Apoiar o anarquismo é negar a ambição inerente ao ser humano, tirando-lhe a animalidade.
O socialismo se contradiz, a democracia é ilusória, a ditadura não é aceitável e o anarquismo se mostra inexeqüível. Então, como se deve organizar a sociedade?
Minha teoria consiste nos mesmos princípios anarquistas de autogestão. Todavia, prevê que nem toda pessoa é capaz de se auto-administrar. Essa capacidade só se faz presente em indivíduos “desenvolvidos psicologicamente”, que vêem nos animais a organização perfeita. Portanto, meus ideais estão associados à adoção da sabedoria dos enxames.
Imaginar toda a população mundial se utilizando da minha proposta me torna mais um utópico. Por isso, não paro na autoconscientização. É preciso selecionar as pessoas capazes de viver em uma - quem sabe? - sociedade alternativa, com a única lei de que sua mente é seu carrasco.